Vítima de xingamentos em rede social, prefeita de Guanhães diz que não vai tolerar misoginia

A prefeita de Guanhães, Dorinha Campos (PDT) publicou ontem, 8, em sua página pessoal uma espécie de desabafo público, após ter sido xingada, de forma considerada ofensiva, também em rede social, por um conhecido empresário da cidade. 
Dono de uma Lan House na região central, o empresário proferiu os xingamentos depois que a prefeita, seguindo recomendações dos órgãos de saúde e do Comitê Municipal de Combate à Covid-19, decidiu manter o isolamento social na cidade e o fechamento das atividades não essenciais.
Em um dos posts, o comerciante disse: “Essa desgraçada está esquecendo que nós os pequenos comerciantes não estamos recebendo ajuda nenhuma do governo”. Em outro, foi mais agressivo: “Filha da puta, mandou fechar o comércio outra vez, quero ver se essa vaca vai pagar a minhas contas”.* 
Em seu depoimento, Dorinha considera os xingamentos atos de misoginia e afirma que não vai tolerar ofensas desse tipo. “Vamos debater, vamos dialogar, vamos conversar sempre, mas não vamos tolerar misoginia, pois além de ser um desrespeito à mulher é também crime contra a honra. E crime é assunto da justiça”, disse, ao lamentar que ofensas assim também são feitas às secretarias ocupadas por mulher na atual gestão.
Entre os quinze municípios que compõem a microrregião de Guanhães, na mesorregião do Vale do Rio Doce, Dorinha Campos é atualmente a única mulher à frente do Executivo. Ela foi eleita em Guanhães, exatamente a maior cidade da região, em eleição extraordinária, em junho de 2018, depois da cassação do então prefeito Geraldo José Pereira (Landinho-MDB) por "abuso de poder".


Repúdio e solidariedade

A exemplo de muitos internautas que tomaram conhecimento do assunto, o atual presidente do SAAE Guanhães, Dezinho Ventura, também repudiou os xingamentos e foi solidário à prefeita. “Ao atacar a mulher prefeita, estão atacando a todas as mães, filhas, esposas e a todos nós que sempre lutamos por um mundo mais igualitário e de respeito mútuo”, disse.

Manifestações e ameaças: A prefeitura decidiu pelo isolamento social no município, inclusive com fechamento das atividades não essenciais, logo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou ao mundo, em março, a pandemia do coronavírus. A maioria dos empresários atingidos não aceitou a decisão, em especial os comerciantes, que, desde então, passaram a reivindicar a reabertura do comércio. Houve manifestações e ameaças de reabertura “a marra”.


*Como não conseguimos contato com o comerciante, resolvemos não publicar prints dos posts com os xingamentos, embora sejam já de conhecimento público.

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