Alunos e professores das escolas estaduais de Guanhães também relatam problemas com ensino remoto

EE Odilon Behrens, tradicioal escola de Guanhães (Foto Facebook)
A escolas estaduais de Guanhães deram início ontem (18) às aulas em sistema remoto de ensino (modelo não-presencial, por meio de aplicativos da internet). 

Desenvolvido pela Secretaria de Educação do Estado, o modelo visa substituir as aulas presenciais, temporariamente suspensas por causa da pandemia da Covid-19. No primeiro dia, no entanto, o sistema mostrou-se ineficiente e cheio de problemas. 

A exemplo do que ocorreu em todo Estado, em Guanhães, professores, alunos e pais (responsáveis) relataram nas redes sociais dificuldades com acesso e com a instabilidade nos canais virtuais do Governo, como o aplicativo Conexão Escola. Houve pouca adesão por parte dos alunos.

A transmissão das aulas em tempo real pela Rede Minas, TV do Governo, também não ajudou. Assim como grande parte dos municípios mineiros, Guanhães também não recebe o sinal da TV estatal. Milhares de alunos que não têm acesso à internet (o que pode explicar em parte a baixa adesão), ficaram prejudicados em todo Estado.  Disponibilizada pelo canal Youtube, transmissão também apresentou instabilidade.

Mais problemas
Outro problema enfrentado pelo Governo que pode afetar o modelo ainda mais é a insatisfação dos profissionais da educação, sobretudo dos professores. Eles ainda não receberam o salário referente a abril e nem sabem quando vão receber. O Governo, que pagou apenas funcionários da saúde e das forças de segurança, ainda não definiu uma data. Além disso, segundo o sindicato dos professores (SindUte-MG), cerca de 50 mil profissionais ainda aguardam pagamento do 13º de 2019.

“Já é difícil viver com o salário pago pelo Estado, imagina quando nem isso”, comentou uma professora em grupo de whatsapp. Em outro comentário, outra professora disse: “Além disso temos de trabalhar dobrado com esse sistema online”. Além de orientação, os professores têm ainda de preparar as aulas em áudio ou vídeo.

“Sem ideologia”
O governador Romeu Zema (Novo) nega estar agindo de forma político-ideológico. Mas, em entrevista recente à jornalista Leda Nagle, além de voltar a acusar seu antecessor, Fernando Pimentel (PT), pela deficiência nas finanças do Estado, Zema se referiu à educação estadual com certo desprezo. “Aquilo ali é um antro de petistas e sindicalistas”, disse o governador. Ao citar, segundo ele, melhora no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Zema disse que governa baseado em números e não em “ideologia”.

“Tirando o foco”
O SindUte e políticos da oposição não retornaram nosso contato para comentar a fala do governador. Apenas o vice-presidente do PT de Guanhães, Dezinho Ventura, manifestou-se a respeito. Para Ventura, o governador quer tirar o foco do verdadeiro debate que, segundo o petista, é garantir uma boa educação e salários dignos e em dia aos profissionais. “O resto é resultado de uma pessoa que atuou a vida inteira no setor privado e não consegue entender que o público não é para dar lucro e sim atender às necessidades da população, com prioridade para os que realmente precisam da intervenção estatal”, disse.

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